a vida que ficou com ela


como Narciso, fico obcecada por mim

não essa de agora,
mas uma versão do passado

uma em que ainda consigo ver a vida nos meus olhos brilhando
onde tantas coisas ainda não aconteceram

não consigo parar de invejar a sorte dela

busquei até na física quântica
na esperança de conseguir permear entre o tempo-espaço
e, assim, matar essa eu, nesta outra linha temporal
e ficar no lugar dela
vivendo uma vida que deu certo

uma vida que não teve tantas marcas

mas aí é que tá a grande questão:

eu ainda teria a consciência que eu tenho hoje?
se for assim, não quero

quero o vazio de errar de novo

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