duas ilhas - nosso quase amor

perdida entre a realidade e o sonho

em um estado de sonolência

você me dá boa noite, indo em direção aos meus lábios

eu hesito

digo que não é uma boa ideia

para logo em seguida ceder, e nosso primeiro beijo ser quase um sussurro

ali, no quarto, duas ilhas, tão perto e tão distantes ao mesmo tempo

iam misturando pesadelos,

trazendo-os para a superfície, seja em risadas ou em espasmos

você, com sua insônia e sono desregulado, fica lá

rindo de mim

a cada vez que se aproximava,

mais confusa ficava

tudo aqui dentro é uma bagunça, um tanto complexa

nesse amanhecer, nós nos abraçamos como um consolo

tão confortável e seguro

íamos caindo no sono ao som de Schubert e entre afagos

em uma corda bamba entre despertar e adormecer

ceder ou recuar

uma dualidade inconstante

querendo romper essa distância

você quer compreender o que houve

e o que estaria acontecendo

tento explicar minha confusão mais uma vez

e você, sentado ao meu lado, me pede um último beijo

eu hesito, mas sei que quero

quero intensamente

então me deito,

chamando você para perto

a intensidade

era física e emocional

espiritual,

como você sempre diz

tudo ardia em desejo,

ao mesmo tempo em que a consciência gritava:

não deveria estar fazendo isso

minhas mãos no seu corpo, suas mãos no meu corpo 

é irresistível não ceder

mas existem segredos não ditos,

amores mal resolvidos,

complexos malditos

mesmo te conhecendo tão bem,

não conseguiria compartilhá-los

a cada beijo que me dava era uma despedida,

e mais distantes ficávamos

duas ilhas,

como deve ser

eu, que nunca sinto,

senti sua falta

quando você ainda nem foi


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