duas ilhas - nosso quase amor PARTE II

 PARTE II


ele continuava me perguntando: l'amour c’est quoi? l'amour c’est quoi?

o que é o amor?

eu disse para você, que é um autêntico romântico, que não iria gostar de minha resposta ~ o amor é apenas uma ilusão

depois da queda, admiti para mim mesma que amor nunca fora um conceito viável para mim

o que sinto é torto, não ortodoxo, inusual

o sentimento está lá, mas a palavra parece não caber, pouco representar

é o exato momento em que você beija meu rosto, dizendo: sua boca. seus olhos. seu rosto.

é você cozinhando soja para mim, mesmo eu dizendo que não gosto, e eu comer e gostar

é você fazer uma playlist para mim e acertar perfeitamente, mesmo sem eu dizer

é você lembrar de detalhes sobre mim, sobre nós, e todos eles parecerem tão importantes

é quando você fala comigo, e cada frase parece um poema

é quando você pensa algo, hesita em dizer, mas mesmo assim eu escuto e digo que li sua mente

é o que sinto quando olho pro fundo dos seus olhos — um misto de castanho-claro, quase mel — e não conseguir parar de olhar para eles, como se pudesse ler e ser lida ao mesmo tempo

é olhar para seu rosto e ver cada detalhe, e ver tanta beleza em ser, além do físico, espiritual, transcendental

é ouvir você treinando flauta e sentir o som tão estridente em meus ouvidos sensíveis, e ainda assim achar tão lindo e ficar admirando

é quando eu coloco água para você, forçando-o a se hidratar

é quando caímos no sono ouvindo Schubert

é quando trocamos poemas, elogios, admirações

é quando ansiamos por conectar nossas ilhas — a solitude compartilhada, de modo irracional


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