caixa de pandora

Acordou às 7 da manhã

com um misto de neutralidade e sutil tristeza.

Ficou aninhada em seu travesseiro,

perdida em seus pensamentos,

como costumava ficar.


Acabou esbarrando em uma sessão de memórias,

uma caixa antiga que escondera lá no fundo.

Sabia que não deveria abrir 

tinha o péssimo hábito de rememorar

e sentir a dor de tudo como se fosse ontem.


Mas, por um pouco de masoquismo e estupidez,

retirou a poeira e abriu.

Enquanto as memórias iam saindo e começando a destruição,

ela sentiu as lágrimas transformando-se em ácido.


Lembranças doces e amáveis

iam sendo manchadas pela tinta escura e densa

que a tristeza exalava.

Perdeu-se no tempo enquanto estava ali,

até que começou a sentir qualquer rastro de alegria ir embora

e se sentiu novamente em sua essência.


E não que fosse ruim 

na verdade, era pacífico e costumeiro.


Depois de um tempo que se arrastou

sem que ela sequer percebesse,

levantou-se, então,

lavando o rosto e retirando os rastros pretos

do rímel borrado que as lágrimas ácidas deixaram.


Foi em direção ao grupo,

com o ensaiado sorriso que costumava dar,

enquanto, com o copo de compulsão líquida na mão,

virou um gole generoso,

sentindo o álcool abraçando sua língua

e escorrendo por sua garganta,

procurando o mínimo de conforto momentâneo

em meio àquele caos.

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