12 minutos

sentou-se na cadeira

olhou para a parede bege claro e quarto neutro

ligou a tela do celular


nada

ninguém


esperou

esperou

esperou


quantos minutos haviam se passado?

3...

okay

espera

espera mais um pouco

respirou fundo, fechando os olhos

o corpo começou a ter as reações

tremendo, deitou-se na cama

é isso

iria deitar e relaxar

respira...controla a respiração

levantou-se 

mas

jogou-se de novo no colchão

okay...ta tudo bem

disse para si mesma


não

caralho

não estava

nada bem


o peito começou a apertar

e o desespero de saber

estava vindo

mais uma droga de crise

falta de ar

o corpo reagindo

não havia nada que pudessem fazer agora

quantos minutos?

7...

oh meus deuses

as lágrimas começaram a descer

seu próprio sangue, as lágrimas...tudo era ácido

corroendo por dentro de suas veias

contorcendo-se impotente

suas unhas arranham sua pele agora

como um meio de tentar aplacar a dor interna

a garganta coça desesperada para gritar

9 malditos minutos agora

a dor ia se transformando em ódio

levanta-se do colchão

a ira irradiando seu ser

com os dedos tremendo, vomitou parte do ácido que a corroía em texto


pronto

agora sim

melhor


hipocrisia

não fez com que sentisse melhor em nada


12 minutos

12 minutos no inferno


minutos de purgatório

minutos que deveriam se passar tão rapidamente

minutos...irrelevantes

minutos que para ela...eram pior que a morte

a dor em cada centímetro do seu corpo

tão intensamente destruindo tudo

minutos que considerou todas as formas de acabar com a própria vida

pois era melhor do que viver e sentir isso

minutos que quando acabam, deixam cicatrizes eternas nela e nos que ela ama

minutos onde a percepção de tempo já não importava mais


mas, no fim,


acabou.


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