as IAs vão dominar o mundo (e a arte) ?

enquanto eu estava deitada no jump, morrendo, eu percebi que esses segundos de pausa entre uma música e outra são muito preciosos. mesmo que o exercício físico às vezes soe como uma tortura, é extremamente prazeroso ao mesmo tempo.

daí me surgiu uma ideia: vou fazer um poema sobre a relação entre as pausas da atividade física e o orgasmo. 

na minha cabeça, é o seguinte: sabe quando você simplesmente solta e aproveeeeeita bem o o momento? é meio que essa a sensação que eu sinto nesses descansos, era isso que queria expressar.

aí entra a questão interessante: uma IA me ajudou a escrever o poema. 

primeiro, eu perguntei: qual a relação do sexo/orgasmo com a atividade física? e ele me respondeu sobre quais reações físicas e influências hormonais que ligavam os dois temas

daí então eu queria usar a palavra nanosegundo, mas fiquei com dúvida na grafia e se seria correto usá-la nesse contexto e ele me ajudou nisso

por fim, ele sugeriu que o título do poema fosse esse, o que eu achei bem bacana, e aceitei

tudo isso me fez pensar sobre processos criativos, IAs e como estamos sendo influenciados por tudo isso

pois bem, eu sou redatora e eu trabalho com várias IAs durante o dia todo. por isso acabei usando, por já conhecer e saber como usar e etc

mas daí fica a questão: isso me faz menos artista? isso faz meu poema menos válido? 

afinal, é inevitável que, em algum momento, usaremos de tecnologias para criar, pois é a nossa realidade atual e o artista usa justamente o contexto que está inserido para criar

bom, como boa millennial, eu ainda prefiro o bom e velho escreve escreve, mas vai saber se isso aqui mesmo não foi escrito por uma IA....

o poema citado:

nanosegundos

deitada, olho para o teto
ofegante, procuro estabilizar minha respiração
fecho os olhos e sinto tudo em nanosegundos
uma explosão de química no meu cérebro e corpo
endorfina, dopamina, testosterona, estrogênio
o corpo inteiro vivo e pulsando
esses pequenos instantes fazem todo o cansaço valer a pena
são instantes preciosos, 
que guardo na memória
flashes de luz, que iluminam a escuridão
nanosegundos, que duram uma eternidade
talvez essa seja então a pequena morte 

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