yin yang




 


sempre compreendeu a realidade

através de metáforas

até que se deu conta que era yin

sempre fora yin

e o primeiro homem que amou

era igualmente yin

o quão desequilibrado foi

caótico

e ainda assim ela gostou

por estar viva e sentir

mesmo que míseros minutos

de algo que não saberia dizer

se era real

então encontrou um yang

e percebeu que menos intenso

mas menos nocivo era

se agarrou a isso como

um colete salva vidas

em pleno alto mar

ao invés de boiarem juntos

como o suposto equilíbrio

que deveriam criar

acabou se mostrando pesada demais

e carregava-o cada vez mais

ao fundo

decidiu por fim soltar

e afogar-se sozinha

acabou se tornando mar

e viu outro yin boiando

e pensou se ela não seria yang

e algo novo surgir

aproximava-se de pouco em pouco

e ele nadava para longe

ela confusa pensou em ir

mas ele não a deixava

ela achou que ele preferia

te-la por perto

mesmo que não a quisesse de fato

mas nunca soube se devia ir ou ficar

e nesse nadar para longe e para perto

perdeu-se de si e dele

deu-se de conta que

se não tivesse tão oscilante

não teria ficado um terço

e seus limites tremulavam com as ondulações

enquanto outros chegavam e boiavam

ao seus redores

ela só tinha olhos para ele

ia percebendo por fim

o quão doentio era

permanecer desse modo

até que desprendeu-se

e foi

sussurrando com um misto

de zelo e amargor

por favor, dessa vez, me deixe ir

 

quando foi resgatada

olhou para seu salvador

com adoração

e percebeu por fim que o amor

estava em outras coisas além do sentir

e o quão ingênua fora

todos esses anos em ouvir o coração

quando a razão lhe colocara de frente

a tudo que sempre quis

yang

seu oposto complementar

equilíbrio então podiam criar

ele a mantinha na superfície

mesmo quando ela queria afundar

e na fantasia que criara

quis coloca-lo em lugar de sol

até descobrir que

esconde mais trevas dentro de si

do que ela própria

 

 

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